segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mulheres e seus critérios de escolha.

 Sugestão Musical: Carinhoso - Pixinguinha.

            Parei para pensar que a forma pela qual uma mulher liga seu caminho ao de um homem, contraindo um relacionamento formal, tem se configurado nesses últimos anos em um retrocesso. Vou explicar:
            Repare você que desde os tempos mais remotos até a idade média, as mulheres eram “dadas” em casamento a um homem, por seu pai e em algumas culturas no Oriente Médio eram (e ainda são) literalmente vendidas, isto é, o homem pagava um “dote” à família da moça e esta, por sua vez, a entregava ao homem. Repare agora que a partir da Idade Moderna a opinião da mulher passou a influenciar gradativamente na escolha do homem com quem ela contrairia um relacionamento, até o ponto em que a mulher já decidia por sim própria com quem queria se relacionar e como seria esse relacionamento, que já veio a acontecer na chamada “Idade Contemporânea” e é o que vigora até hoje. Até este ponto, você não deve estar lendo nenhuma novidade, mas o que eu quero que você perceba é como este processo tem se tornado um retrocesso, de alguns tempos para cá. Acompanhe:
            No tempo em que as mulheres eram “dadas”, ou “vendidas” a um homem, o seu principal medo era que esse homem não gostasse de alguma coisa nela e por isso NÃO A AMASSE, repare que isto nada tem a haver com estética, aparência, ou qualquer fator social, como o homem ser rico ou pobre, ou ser famoso, popular, etc. O medo que as mulheres dessa época tinham era de não serem amadas, de serem desprezadas pelos seus respectivos maridos e por isso elas se dedicavam o máximo possível para agradá-los. Era necessário que a mulher se emancipasse, se libertasse daquilo e fosse livre para escolher o homem que a correspondesse, que a amasse de verdade, para que ela não ficasse mais sujeita a sorte de seu marido amá-la ou não. E foi o que aconteceu, pelo menos na maioria das culturas ocidentais. Inventou-se o namoro, como ele é conhecido hoje e com isso, homens e mulheres puderam se conhecer melhor antes de firmar uma aliança concreta e duradoura, isto é, o casamento.
            Foi uma época de esplendor. Os homens agora não tinham mais que pagar aos pais da moça, mas sim, tinham que ter um trabalho muito mais difícil, porém bem mais prazeroso: CONQUISTAR O CORAÇÃO DE UMA MULHER. Assim surgiram as serenatas, buquês de flores, as cartas de amor, as juras de amor eterno, os olhares acanhados cruzados na rua, os bailes de vanguarda, etc. As mulheres procuravam nos homens palavras de amor, olhares apaixonados, abraços ternos, enfim, o que elas sempre quiseram: AMOR. Repare que até aí, pouco influenciava fatores sócio-culturais como popularidade e beleza, contava mais o charme e a inteligência era o afrodisíaco. O principal, era o homem dar “uma prova de amor”, as famosas “loucuras que se faz por amor”, isto é, coisas absurdas para provar que se ama alguém, tiveram seu auge nesse momento da história.
           Agora, note você que da década de 70 pra cá, a coisa tem sofrido um declínio, que até o fim dos anos 90 era sutil, mas nesta “geração 2000” miserável (no mais amplo sentido da palavra) sofreu uma queda brusca. A partir dos anos 70, coisas como ter um carro e certa popularidade, começaram a influenciar na escolha das mulheres em relação aos homens, na década de 80, coisas como usar roupas “descoladas” e saber dançar em discotecas, se tornaram fundamentais...A coisa foi se tornando cada vez mais fútil...Na década de 90 surgiram as famosas “tribos”: Quem era rockeiro, tinha cabelo grande, calça rasgada, só andava de preto e tinham as mulheres que se interessavam por esses caras, as chamadas “marias-guitarra”; tinham os caras inteligentes, que se matavam de estudar, usavam colarinho apertado, óculos de fundo de garrafa e cabelo penteado engomadinho e tinham as mulheres que se interessavam por esses caras, as chamadas “marias-nerd”; entre outros grupos de pessoas, contudo, ainda assim se ouvia falar de amor e a MAIORIA das mulheres, além dessas características, isto é, estilo, popularidade, entre outras, exigiam do homem o que sempre exigiram: amor.
            Porém, neste início de segundo milênio, essas “tribos” se reproduziram e se subdividiram em inúmeras outras, gerando novas tribos ou “sub-tribos” e com elas uma infinidade de estilos e maneiras de pensar e agir, o que incluiu inúmeros outros fatores que pesam na escolha de uma mulher em relação a um homem, de modo que se você perguntar a uma mulher o que ela procura em um homem, dificilmente ela te dirá de cara: que ele me ame.
            As mulheres estão cada vez mais vulgares e fúteis no que diz respeito às suas exigências. Vivemos sob o jugo de uma cultura maldita, que eu particularmente chamo de “indústria do playboismo”, que é uma cultura que tende a homogeneizar os homens, matando suas peculiaridades e vendendo-os como produtos. As mulheres olham para os homens a partir de seus braços, abdome, roupas, tênis, condição social, etc. E se você perguntar: “Seu namorado te trai?”. Ela responderá: “ Tô nem aí pra isso, se ele me meter chifre, eu meto nele também, o que importa é que ele é gostoso.”(...) QUE COISA MAIS LAMNETÁVEL!!!(...) A que ponto nós chegamos? As mulheres perderam a fé no amor, a fé nos homens e demonstram isso quando dizem expressões como: “Homem é tudo igual(...)”. NÃO!!! Os homens não são todos iguais, eu protesto! Os homens iguais são esses que são produtos da indústria do playboismo, esses sim, que medem seu nível de “macheza” pelo número de vezes que traem suas respectivas companheiras. Mas enfim, além disso, como eu já disse, a proliferação das tribos tem significativa contribuição na cegueira das mulheres, pois escondem o coração dos homens atrás de estilos e formas de agir.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Foi-se e... 

Foi-se o canto que eu fiz pra te encantar
E o encanto que a ti me fez cantar.
Foi-se o espanto que eu tinha ao te encontrar
E o encontro que você quis espantar.

Foi-se o amor que me fez sonhar
E o sonho que me fez te amar.
Foi-se a rima que eu fiz pra te dar
E você que me fazia rimar.

Foi-se o riso
E a bossa.
Foi-se o mar.

Foi-se a vida
E a rosa.
Foi-se o lar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Metrica livre: Devaneio, um poema de amor



Devaneio

Devaneio meio tolo,
Meio tolo nesse devaneio
Nesse devaneio tolo
Fiquei mesmo meio tolo.

Mesmo tolo no devaneio,
Fiquei o mesmo no meu meio
E o mesmo ficou tolo.
Não do mesmo devaneio,
Meio não tolo
Mas tolo.

Posto que não viu
Que eu posto vi
Que ela não viu
Eu posto aqui
Para lhe ver.

E aqui é posto
Que eu a vi,
Não por querer ver,
Mas por não querer ver
O mesmo tolo
Posto no devaneio,
Meio tolo por não querer
Vê-la em um meio tolo.

Posto que é meio tolo
Ficar nesse não meio
Tolo meio devaneio.
Posto que este meio
Não é meio tolo
Mas todo tolo
Pois é devaneio

domingo, 23 de maio de 2010

AOS AMIGOS (Rima livre)



 Aos velhos amigos I
                       
De todos os sonhos e risos
E diálogos nunca enfadonhos,
Guardo no peito a lembrança.

Saídas, resenhas e música;
Conselhos e células túrgidas,
Falando da viva esperança.

De todos os abraços e beijos,
E de compartilhar os desejos.
Recordo: ninguém se cansa.

São memórias que doem de um jeito,
Pois nem tudo foi tão perfeito,
Éramos todos crianças.

Mas que Deus, por misericórdia,
Os liberte de toda discórdia
E faça de suas almas, mansas.

Afim de que mais uma vez
Encontremos-nos, enfim, em paz.
Todos com uma só fragrância.

De volta aos braços do Pai.
Da glória, nenhum mais cai.
É o fim de nossas andanças.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Treze quartetos: O Peregrino I



O Peregrino 1

Antes que o sol desperte
Teus pés,dormentes,caminham
No auge da alvorada
Os desafios da noite terminam

Refugia-te na praia
Na manhã calma vais pescar
A comida alivia tua fome
As pedras são para descansar

A canção dos bardos te acalma
Os instrumentos te fazem dormir
E assim tu esqueces um pouco
Do que desejas possuir

O que posso dizer de ti
É que crescestes em maturidade
Aprendestes encarar
Teus defeitos e dificuldades

De certo, teu caminho é longo
Árdua e dura é a tua jornada
Mas tua forte e persistente mente
Organiza-se estimulada

Se for luta a pau e pedra
Não hesitas em entrar
Mas que temes tua queda
Isso tu não vais negar

Esperança finge que morre
Para a frieza dar lugar
Com um coração de pedra
É bem mais fácil pelejar

Agora, chega de martírio
Luta e vence teus delírios
Além do mundo que te desafia
Tirando os estancos de tuas feridas

Mas a coragem te domina
É a força para lutar
Com o sangue, a mil, jorrando
E a lâmina a retalhar

Já é noite novamente
E o vigor já se acabou
As cabeças vão rolando
Nesse hostil campo de dor

Tu não pensas no amanhã
Que, de fato, está a chegar
Teu leito não é mais a praia
Tem campinas para descansar

Alimento não é mais peixe
Tem coelhos para assar
A música não é mais de bardos
Tem pássaros para cantar

As lutas mais uma vez terminam
Os cadáveres estão inertes
Antes que o sol desperte
Teus pés, dormentes, caminham.


9 quartetos de influência arcadista.



 Utopia do herói camponês

Queria mesmo era ser um herói.
Um bondoso e astuto Herói camponês.
Que ao bem se dedica e ao mal destrói
E que de boas ações herói se fez.

Queria morar em uma vila singela
Com uma vida pacata ao aroma das rosas.
Ver uma linda camponesa e apaixonar-me por ela.
Entardecer com os vizinhos numa roda de prosas.

Queria acordar com o canto do galo
E cheirar os cabelos de minha camponesa.
Brincar com o menino de tentar pega-lo,
Beber o desjejum com a família a mesa.

Cingir-me de cota, espada e escudo,
Sair com os amigos por bosques distantes.
Enfrentar perigos em lugares escuros,
Acudir os amigos, bradando o avante.

Libertar florestas de vis entidades,
Lutar contra hidras, dragões e outros seres.
Desfazer maldições que assolavam cidades,
Testemunhar a verdade de antigos dizeres.

Queria voltar então ao povoado
E enxugar as lágrimas de minha esposa.
Contar a todos o que foi passado
E de como agimos igual as raposas.

E ser o orgulho dos anciãos,
Todo o apreço e desejo das damas.
Ver crianças com brinquedos em mãos,
Brincando de ter nossas famas.

Ah! Como eu queria ser um herói.
Um bondoso e astuto herói camponês,
Que com fé, amor e força ao mal destrói.
E de virtude e honestidade herói se fez.

Nada de carros, edifícios e asfalto,
Nem dinheiro, sirenes e corrupção.
Nada de seqüestro, homicídio e assalto.
Nem trabalho estressante e por obrigação.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Soneto onírico: Rimas sujas de amargura


Rimas sujas de amargura

Lembranças do passado me atormentam,
É vã tal nostalgia.
E as lágrimas amargas desenterram
Histórias que eu tanto queria.

E os risos um dia brindados
São flechas de dor e amargura.
Nessa noite, cheio de enfado,
Entrego-me à rima impura.

Conturbado,
Cansado,
Cheirando à podridão.

Alcançado,
Sentado,
Desafinando a canção.